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                            Rosto
Créditos
Dedicatória
Sumário
Nota ao Leitor
Prefácio
1 Uma Mulher em Constante Queda...
2 Aprimorando o Próprio Cérebro
3 Remodelando o Cérebro
4 Adquirindo Gostos e Afetos
5 Ressurreições à Meia-noite
6 Destravando o Cérebro
7 Dor
8 A Imaginação
9 Transformando Nossos
10 Rejuvenescimento
11 Mais do Que a Soma de Suas Partes
Apêndice 1
Apêndice 2
Agradecimentos
Notas e Bibliografia
Índice
Colofon
O cérebro que se transforma
                        
Document Text Contents
Page 2

Tradução de
RYTA VINAGRE

Revisão técnica de
JEAN-CRISTOPHE HOUZEL

3ª edição

2012

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hematoma ou uma picada de inseto na ponta do dedo torna um membro inteiro tão dolorido que o
“sistema de proteção” evita que o paciente se mova. O problema pode durar muito tempo depois da
lesão original e, em geral, torna-se crônico, acompanhado por desconforto, ardência e dor
agonizante em resposta a um leve afagar ou roçar da pele. Ramachandran teorizou que a
capacidade do cérebro de reorganizar-se plasticamente provocava uma forma patológica de
proteção.

Quando nos protegemos, evitamos que nossos músculos se mexam e agravem a lesão. Se
tivéssemos de nos lembrar conscientemente de não nos mexermos, ficaríamos exaustos e
cometeríamos deslizes, nos feriríamos e sentiríamos dor. Agora suponha, pensou Ramachandran,
que o cérebro antecipe o movimento errado, provocando a dor um momento antes que o
movimento aconteça, entre o instante em que o centro motor lança o comando para se mexer e o
instante em que o movimento é realizado. Que melhor maneira de o cérebro evitar o movimento
do que se assegurar de que o próprio comando motor provoque a dor? 31 Ramachandran passou a
acreditar que o comando motor nos pacientes de dor crônica é embutido no sistema da dor e assim,
embora o membro tenha se curado, o cérebro ainda provoca a dor quando envia um comando
motor para mover o braço.

Ramachandran chamou essa condição de “dor aprendida” e se perguntou se a caixa com
espelho podia ajudar a aliviá-la. Todos os remédios tradicionais tinham sido tentados nesses
pacientes — interrupção da conexão nervosa para a área dolorida, fisioterapia, analgésicos,
acupuntura e osteopatia — inutilmente. Em um estudo realizado por uma equipe que incluía
Patrick Wall, o paciente foi instruído a colocar as duas mãos na caixa com espelho, sentando-se de
modo a poder ver o braço bom e seu reflexo no espelho. 32 O paciente depois movia o braço bom (e
o braço afetado, se possível) livremente por dez minutos, várias vezes por dia, por várias semanas.
Talvez o reflexo do movimento, que ocorria sem a iniciação de um comando motor, estivesse
induzindo o cérebro do paciente a pensar que seu braço ferido podia se mexer livremente sem dor,
e talvez esse exercício estivesse permitindo ao cérebro aprender que a proteção não era mais
necessária, desconectando assim a ligação neuronal entre o comando motor para mover o braço e o
sistema da dor.

Os pacientes que tinham a síndrome de dor há apenas dois meses melhoraram. No primeiro
dia, a dor amainou e o alívio durou mesmo depois de encerrada a sessão com a caixa. Depois de
um mês, eles não sentiam mais dor. Os pacientes que tinham uma síndrome de cinco meses a um
ano não se saíram tão bem, mas perderam a rigidez nos membros e puderam voltar a trabalhar.
Aqueles que tinham dor há mais de dois anos não conseguiram melhorar.

Por quê? Uma explicação era de que esses pacientes de longo prazo não moveram os membros

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protegidos por tanto tempo que os mapas motores do membro afetado começaram a desaparecer —
mais uma vez o “use ou perca”. Só permaneciam as poucas ligações que eram mais ativas quando o
membro foi usado pela última vez, e infelizmente eram ligações para o sistema da dor, assim como
os pacientes que usavam gesso antes de amputações desenvolveram fantasmas “paralisados” onde
seus braços estavam pouco antes da amputação.

Um cientista australiano, G. L. Moseley, pensou ser capaz de ajudar os pacientes que não
tinham melhorado usando a caixa com espelho, em geral porque sua dor era tão grande que eles
não conseguiam mover os membros na terapia do espelho. 33 Moseley pensou que podia provocar a
mudança plástica reconstituindo o mapa motor do membro afetado com exercícios mentais. Ele
pediu a esses pacientes para simplesmente imaginarem mover os membros dolorosos, sem executar
os movimentos, a fim de ativar a rede motora cerebral. Os pacientes também olhavam imagens de
mãos, para determinar se eram esquerda ou direita, até que pudessem identificá-las com rapidez e
precisão — uma tarefa que notoriamente ativa o córtex motor. Mostraram-lhes mãos em várias
posições e pediram-lhes para imaginá-las por 15 minutos, três vezes ao dia. Depois de praticar os
exercícios de visualização, eles fizeram a terapia do espelho e, com 12 semanas de tratamento, a dor
tinha diminuído em alguns e desaparecido na metade deles.

Pense em como isso é extraordinário — para a dor crônica mais excruciante, todo um novo
tratamento que usa a imaginação e a ilusão para reestruturar plasticamente mapas cerebrais, sem
medicamentos, agulhas ou eletricidade.

A descoberta de mapas da dor também levou a novas abordagens para cirurgia e ao uso de
medicamentos contra a dor. A dor fantasma pós-operatória pode ser minimizada se os pacientes
receberem bloqueadores nervosos ou anestésicos locais que agem sobre os nervos periféricos antes
que a anestesia geral os coloque para dormir. 34 Os analgésicos, administrados antes da cirurgia, não
só depois, parecem prevenir a mudança plástica no mapa cerebral da dor que pode “travar” na dor.
35

Ramachandran e Eric Altschuler mostraram que a caixa com espelho é eficaz em outros
problemas, como pernas paralisadas de pacientes de derrames. 36 A terapia do espelho difere da de
Taub pois induz o cérebro do paciente a pensar que ele está movendo o membro afetado, e assim
começa a estimular os programas motores do membro. Outro estudo mostrou que a terapia do
espelho era útil na preparação para um tratamento do tipo Taub de um paciente severamente
paralisado por derrame, que havia perdido o uso de um lado do corpo. 37 O paciente recuperou
parte do uso do braço, a primeira ocasião em que duas novas abordagens baseadas na plasticidade
— a terapia do espelho e a terapia CIM — foram usadas sequencialmente.

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O cérebro que se transforma

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