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TagsCapitalism State (Polity) International Politics International Relations
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		Contribuições Teóricas para o
		Introdução
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		Realismo
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		Leituras para Continuar seu Estudo
		Notas
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Document Text Contents
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sas áreas de convivência. Veja o relatório da Comissão sobre Governança Global (Comission
on Global Governance, 1995). Veja também o site do Centro de Estudos sobre Governança
Global da London School of Economics, que conta com a participação de Mary Kaldor e
David Held, entre outros, e que possui diversas publicações sobre a governança global e a
sociedade civil internacional: http://www.lse.ac.uk/Depts/global!AboutCsGG.htm.

Veja ainda o trabalho de jarnes Rosenau para uma apresentação do conceito
(Rosenau,1992, p.4).

3. O G7/G8 congrega os países mais desenvolvidos do mundo - Estados Unidos, França,
Alemanha, Itália, Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Rússia (desde 1994) - para discutir ques-
tões econõmicas, políticas e de segurança. Eles realizam uma reunião de chefes de Estados
anualmente e outras reuniões a nível ministerial.

4. Para esse assunto, veja o artigo de john Ruggie (Ruggie, 1993).
5. Proibição da discriminação contra importações de países que produzem o mesmo produto.
6. Esse argumento é desenvolvido por Michael Barnett e Martha Finnemore (Barnett &:

Finnemore, 2001).
7. O tema é discutido por lan Hurd, que salienta que existem três formas de garantir que uma

regra seja obedecida: coerção, auto-interesse e legitimidade. O autor considera o conceito
de legitimidade como um dos mecanismos de ordenamento do sistema internacional (Hurd,
1999).

8. Essa discussão é desenvolvida por Ricardo Seitenfus (Seitenfus, 1997).
9. Essa regra é aplicada apenas aos Estados que assinaram os novos protocolos da IAEA.

10. A proposta de Abbé Saint-Pierre (Project ofPerpertual Peace, 1713) incluía a criação de uma
liga de Estados e uma corte internacional, representando os Estados Europeus, com poder
para arbitrar as disputas e impor sanções caso necessário. Eméric Crucé propôs a criação
de uma federação mundial. Ele apontava para a superficialidade das diferenças entre os
homens - cristãos, mulçumanos, judeus e pagãos teriam lugar no desenho de sua federa-
ção (Crucé, 1909). lmmanuel Kant, autor que apresentamos no Capítulo 2, escreveu sobre
a formação de uma cidadania cosmopolita e de uma federação de repúblicas (Kant, 1970).

11. O mar territorial foi estabelecido em três milhas, já que esse era o alcance de um canhão
baseado em terra no início do século XVII.

12. Hugo Grotious foi um teórico do direito internacional, tendo escrito um dos textos funda-
dores do direito internacional moderno, De Jure Belli ac Pacis, em 1625.

13. Veja o livro de lnnis Claude para essa discussão (Claude, 1984, p. 121).
14. A Corte funciona no Palácio da Paz em Haia desde 1913, lidando com disputas envolven-

do Estados, 01Gs e atores privados, direito público e privado. Trata-se de um aparato que
permite a montagem de tribunais de arbitragem. Veja http://pca-cpa.org.

15. Essa discussão é feita por Veijo Heiskanen (Heiskanen, 2001).

CAPÍTULO

2

Contribuições Teóricas para o
Estudo de Organizações Internacionais

PRINCIPAIS QUESTOES ABORDADAS:

.•. A história dos estudos sobre organizações internacionais.

.•. A teoria realista e sua contribuição para o debate sobre o papel

das organizações internacionais.

.•. As perspectivas liberais e a relevância das instituições.

.•. O funcionalismo e a versão de David Mitrany do papel das organiza-

ções internacionais.
.•. O neofuncionalismo e o estudo da integração regional.

.•. O marxismo e a crítica às organizações internacionais.

.•. O cosmopolitismo e suas questões normativas e éticas.

.•. O construtivismo e a leitura sociológica das organizações.

Introdução

A disciplina de relações internacionais, ao longo de sua história,
iniciada nas primeiras décadas do século XX, produziu um conjunto
de teorias, conceitos e debates que visa à criação de conhecimento

r

http://www.lse.ac.uk/Depts/global!AboutCsGG.htm.
http://pca-cpa.org.

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sobre o sistema internacional. O debate teórico esteve presente desde
o começo do delineamento do estudo de relações internacionais como
uma disciplina específica, ainda nas primeiras décadas do século XX.1
As diferentes perspectivas teóricas buscam, entre outros objetivos, ex-
plicar a cooperação e o conflito entre os principais atores do sistema
internacional, a produção de mecanismos de estabilização do mesmo
e as formas como esse sistema político é governado, na ausência de
aparato estatal central. Nesse sentido, as diferentes teorias, com maior
ou menor ênfase, têm algo a dizer sobre as organizações internacio-
nais. Assim, apresentaremos a seguir uma descrição sucinta da contri-
buição das teorias relevantes para o estudo das organizações interna-
cíonais.'

A área de estudos sobre organizações internacionais desenvolveu-
se ao longo do século XX, tendo momentos de maior e menor produti-
vidade, sendo influenciada por processos históricos como a criação do
sistema ONU após a Segunda Guerra ou o novo ativismo das organi-
zações internacionais ao final da Guerra Fria, assim como pelo trajeto
dos debates teóricos da disciplina. Começaremos com uma breve histó-
ria dessa área de estudos.

Apontamos as principais questões associadas aos principais gru-
pos teóricos da disciplina de relações internacionais. Daremos es-
pecial ênfase às contribuições das teorias ao estudo das instituições
internacionais, visto que são fundamentais para a compreensão do pa-
pel, funcionamento e impacto das organizações internacionais. Du-
rante os últimos 2S anos, em particular, grande parte das discussões
teóricas no campo das relações internacionais foi composta por ar-
gumentos sobre o papel, a origem, as dinâmicas e o formato das ins-
tituições, além de seu impacto sobre o comportamento dos Estados.
O debate sobre as organizações internacionais está intimamente as-
sociado a essa realidade, mas apresenta peculiaridades ilustradas a
seguir.

História da Área

As pesquisas sobre organizações internacionais fazem parte de uma
extensa área de estudos sobre as formas como o sistema internacional se
governa. São estudos sobre os diferentes mecanismos que garantem. ~s
relações entre os Estados e outros atores uma certa medida de estabili-
dade e continuidade, mantendo e transformando a estrutura do sistema
internacional e, em particular, seu princípio organizacional: a soberania
dos Estados nacionais. Ao mesmo tempo, é possível delinear um campo
específico de estudos sobre organizações internacionais, interligado aos
trabalhos sobre instituições, integração, regimes internacionais e outros.

A história desse campo de estudos está ligada, por um lado, às ca-
racterísticas da agenda internacional e, por outro, às transformações teó-
ricas e metodológicas da disciplina de relações internacionais como um
todo. O nascimento da disciplina e o primeiro debate entre liberais e
realistas nos anos 30 e 40, em que se estabeleceu um contraste entre o
balanço de poder, o direito internacional e as organizações internacionais
como formas de gerar ordem no sistema internacional, são o marco ini-
cial para a compreensão da história desse campo de estudos.

A crença na possibilidade de progresso e no potencial da razão para
enfrentar o flagelo da guerra está na origem da disciplina no pós-Primei-
ra Guerra Mundial. Na época, as propostas do presidente norte-ameri-
cano Woodrow Wilson e dos movimentos pacifistas, para que o direito
internacional, a arbitragem internacional ou uma organização interna-
cional evitassem conflitos armados, estavam presentes em debates pú-
blicos e nos currículos dos cursos de relações internacionais, que eram
criados na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. As publicações do pe-
ríodo, na maior parte voltadas para a história diplomática e o direito
internacional, abordavam as diferentes propostas ao longo da história
do moderno sistema de Estados, de criação de Ligas, federações e erga-

., .. S 3 O ambiente menosnizações internacionais que evitariam as guerra .
otimista instaurado a partir dos anos 30 favoreceu a produção de uma
literatura crítica às crenças que haviam marcado o debate público sobre

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nacionais, gerando demandas que governos buscarão responder no âm-
bito intergovernamental. 20 O papel exercido pela barganha política do-
méstica não impede que o Estado se comporte como um ator racional
com preferências estabelecidas, quando se envolve em negociações in-
ternacionais, já que ele exerce justamente a função de agregar os dife-
rentes interesses internos.

As críticas às perspectivas liberais, comuns aos campos marxista e
realista, se concentram na sua incapacidade de incorporar o exercício do
poder às análises oferecidas, adotando assim uma postura ingênua em
face do papel das instituições internacionais (Halliday, 2000). A perda de
uma perspectiva ética e as limitações impostas pelo modelo do ator racio-
nal são ressaltadas por inúmeros autores que serão discutidos adiante.

Funcíonaltsmo"

O funcionalismo está fortemente associado ao nome de David
Mitrany, em particular a uma monografia de 1943 titulada A Working
Peace 5ystem (Mitrany, 1946) e à criação do sistema de agências funcio-
nais da ONU no pós-Segunda Guerra." Uma agenda fortemente nor-
mativa propunha que uma rede de organizações transnacionais, com
base funcional, poderia constranger a política externa dos Estados e, em
última instância, evitar a guerra. O autor estabelecia pela primeira vez
uma conexão clara entre a cooperação funcional, a ser discutida no Ca-
pítulo 4, e a segurança internacional.

Essa perspectiva concentra-se em uma proposta gradualista para o
problema da ordem internacional, partindo da premissa de que a "for-
ma" segue a "função". Hábitos de cooperação seriam constituídos em
áreas mais técnicas, nas esferas econômica e social, nas quais o interesse
comum pode emergir mais facilmente. Mais tarde, o hábito de interação,
a construção de valores comuns e instituições permitiriam que a prática
da cooperação transbordasse para a arena política (um processo referido
pela bibliografia como spillover). A visão positiva da crescente
interdependência entre as sociedades, retomando a associação entre

comércio e paz presente no liberalismo do século XIX, é a base para a
proposta funcionalista.

O bem-estar da população não estaria sendo garantido pelo Estado
nacional, e uma maior cooperação internacional, ao satisfazer necessi-
dades nesse campo, levaria a uma transferência de lealdade, permitindo
a construção do que Mitrany chamou de um sistema de paz. A constru-
ção de uma comunidade política menos particularista do que o Estado-
nação, a partir de um processo de aprendizado coletivo e da administra-
ção técnica, seria o fundamento do sistema de paz.

Duas avaliações complementares estão presentes aqui. Por um lado,
a possibilidade de cooperação aumentaria quando a natureza do proble-
ma a ser enfrentado impusesse a coordenação de políticas entre as partes.
Trata-se de questões em que o fluxo de bens, pessoas e formas de comu-
nicação gera a necessidade de coordenar as diferentes ações do Estado.
O avanço tecnológico seria um grande impulsionador desse processo.

Por outro lado, a cooperação nessas esferas da ação do Estado não
representaria uma ameaça frontal à soberania e não teria implicações
para a formulação autõnoma de políticas externas voltadas para o "inte-
resse nacional". Assim, a cooperação torna-se aceitável para os atores,
que reagem negativamente às propostas de transformação das relações
entre os Estados que afetam de maneira direta o princípio da soberania.
A soberania não seria superada, como em propostas de formação de um
governo mundial, mas compartilhada; uma parcela de soberania seria
transferida para uma nova autoridade. A cooperação em áreas específi-
cas é enfatizada, sendo que as próprias tarefas e necessidades delineiam
o contorno dessas áreas. A realização dessas tarefas por meio de organi-
zações separadas que congregam especialistas e técnicos é vista de for-

ma positiva.
A preocupação com as causas da guerra, central para a literatura de

relações internacionais, está presente aqui em uma versão orientada para
questões sociais. Os conflitos armados são associados a problemas so-
ciais como: pobreza, fome, doenças e baixo nível educacional. A coope-
ração internacional poderia enfrentar essas questões. O trabalho das or-

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ganizações funcionais no campo da assistência ao desenvolvimento, ainda
hoje, tem como um de seus fundamentos essa perspectiva.

Os especialistas que trabalham nas organizações internacionais são
atores centrais pois eles teriam uma identidade profissional com colegas
de diferentes partes do mundo, que poderia vir a ultrapassar sua leal-
dade com o Estado nacional. Enquanto os diplomatas tenderiam a de-
fender o interesse nacional, os especialistas estariam em uma posição
privilegiada para levar adiante a cooperação em áreas específicas, con-
centrando-se em aspectos técnicos. Eles seriam os principais agentes do
processo de aprendizagem de cooperação, que pode transbordar das
áreas técnicas para a arena política. Por outro lado, abre-se a possibilida-
de de pensar o processo de interação entre agências específicas dos go-
vernos, em vez de partir apenas da interação entre Estados como unida-
des fechadas.

As críticas mais veementes à visão original de Mitrany apontam
para a necessidade de politizar o debate; a separação entre política e
cooperação funcional que fundamenta essa perspectiva não retrataria a
realidade. A própria distinção entre uma esfera técnica e uma esfera
política pode ser questionada. A história dos processos de cooperação
funcional indica que a opção pela cooperação, distância ou conflito muitas
vezes emerge de objetivos políticos mais amplos. A cooperação no cam-
po técnico não transborda necessariamente para o campo político -
em ultima instância, decisões políticas difíceis devem ser tomadas (Haas,
1964).

Contudo, a perspectiva funcionalista avançou propostas que per-
mitem compreender a realidade da imensa rede de organizações funcio-
nais existente hoje em dia em alguns aspectos relevantes. A idéia de
associar o exercício de autoridade a agentes funcionalmente definidos,
em contraposição ao príncipio que rege o sistema internacional con-
temporâneo, o qual associa a autoridade a um território definido, é bas-
tante inovadora. Ademais, a visão de um processo de transnacionalização
das relações sociais também já está presente.

Neofuncionalismo

A partir da observação do funcionamento da CECA (Comunidade
Européia do Carvão e do Aço), da Euratom (European Atomic Energy
Community - Comunidade Européia de Energia Atômica) e da CEE (Co-
munidade Econômica Européia) e das dificuldades de levar adiante o pro-
jeto federalista no âmbito da "alta política",23 um conjunto de autores e
líderes concluiu que o funcionalismo como teoria e prática deveria ser
reformulado e apropriado para a discussão sobre a natureza do processo
de integração em curso na Europa Ocidental. Tratava-se de pensar a for-
ma como o processo de integração regional europeu desafiava o sistema
de Estados territoriais e construir uma teoria que pudesse captar o caso
singular da Europa, mas também ter significado para processo de integração
regional em geral." Uma combinação de objetivos federalistas e do pensa-
mento funcionalista gera uma discussão sobre as perspectivas de integração
em setores específicos." Nos anos 50 e 60, o neofuncionalismo tornou-
se a teoria de integração hegemônica e esteve presente nos debates polí-
ticos voltados para uma maior integração na Europa ocidental.

Uma de suas principais premissas, baseada no funcionalismo, é
que um processo gradual de integração em áreas específicas pode
transbordar para novas áreas de integração. Assim, se Estados adqui-
rem maior integração em áreas particulares, como o setor carvoeiro,
haverá um incentivo para maior integração em outras áreas do setor
energético. Ademais, a integração em áreas específicas gera apoio para
novas arenas políticas e novas formas de autoridade. À medida que pro-
blemas em determinadas áreas são enfrentados, o apoio às instituições
geradas aumentará. A existência de órgãos supranacionais, como a Co-
missão Européia, eleva o nível da cooperação e da integração, já não se
trata de encontrar um mínimo denominador comum, mas de trabalhar
com interesses comuns, possivelmente chegando à formação de uma
nova comunidade política.

Os neofuncionalistas também conferem um papel central às orga-
nizações internacionais, como agentes ativos do processo de coopera-

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lógico com os objetivos já estabelecidos. As organizações aprendem quan-
do as crenças são questionadas e os objetivos e a formulação de proble-
mas são redefinidos. Nesse caso, as teorias que fundamentam as ações da
organização são questionadas. As comunidades epistêrnícas têm um pa-
pel fundamental nesse processo. As mudanças ocorridas no Banco Mun-
dial seriam um exemplo desse último processo. Em uma fase anterior,
havia uma preocupação com projetos de infraestrutura e hoje se observa
uma ênfase sobre o alívio da pobreza e a boa governança.

À medida que a perspectiva construtivista estabelece um diálogo
mais intenso com a literatura mais ampla de ciências sociais e busca
estudar processos sociais, a literatura sobre organizações apresenta-se
como um conjunto bibliográfico a ser explorado. Os estudos sobre cul-
tura organizacional desenvolvidos por sociólogos e antropólogos a par-
tir da década de 1970 são um pólo para um novo diálogo. A visão de
mundo dos indivíduos que colocam em funcionamento as organizações
internacionais incorpora regras, rituais e crenças enraizadas nas estrutu-
ras organizacionais (Barnett &: Finnemore, 1999). Devemos por fim sa-
lientar que estudos baseados na perspectiva construtivista analisam a
constituição e o funcionamento de regimes (Hasenclever et al, 2000),
assim como o processo de integração regional (Risse, 2004).

Leituras para Continuar seu Estudo

Antje Wiener & Thomas Diez, European Integration Theory, Oxford, Oxford University Press,
2004.

David Baldwin, Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate, Nova York, Columbia
University Press, 1993.

Scott Burchill & Linklater, Andrew, Theories of Intemational Relations, Londres, Macmillan Press,
1996.

Steve Smith, Ken Booth & Marysia Zalewski, Intemational Theory:Posítívism & Beyond, Cam-
bridge, Cambridge University Press, 1996.

Notas

1. Para obter uma visão ampla da história da disciplina, veja os livros de Scott Burchill &
Andrew Línklater e Torbjorn Knutsen (Burchill & Linklater, 1996; Knudsen, 1992).

L .

2. A literatura pós-moderna e/ou pós-estruturalista não foi abordada, já que essa bibliografia
não consolidou propostas sobre o papel das organizações internacionais, embora a critica
e a desconstrução dos conceitos que fundamentam as instituições internacionais possam
ser encontradas.

3. Salientamos que durante as primeiras décadas do estabelecimento da disciplina, a maior
parte dos textos publicados e adotados nos cursos não tinha um caráter idealista, buscan-
do descrever os processos diplomáticos e não apontar para um mundo em que prevalecena
a harmonia de interesses.

4. Movimento que marcou a disciplina a partir do final dos anos 50, visando a transformar o
estudo de relações internacionais em um empreendimento cientifico, nos moldes da ciên-
cia social norte-americana. A ênfase sobre estudos empíricos e formas de medição afastou
os especialistas de estudos voltados para interpretações amplas da realidade internacional.
Para esse ponto, veja o artigo de Michael Banks (Banks, 1984).

5. O conceito é definido na p. 20, Capitulo 1.
6. Veja, por exemplo, os trabalhos de Virginia Haufler, Charles Lipson e Mark Zacher &Brent

Sutton. (Haufler, 1997), (Lípson, 1986) e (Zacher & Sutton, 1996).
7. Dentre os autores que produziram trabalhos importantes para esse debate podemos citar

Robert Keohane e joseph Nye e james Rosenau (Keohane & Nye, 1977; Rosenau, 1990).
8. Veja as publicações da fundação norte-americana Heritage Foundation -www.heritage.org.
9. É possível estabelecer uma distinção entre o realismo clássico e o neo-realismo. A versão

introduzida por Kenneth Waltz e Robert Gilpin busca produzir um conhecimento mais
cientifico, lidando com um número menor de variáveis e propondo um programa de pes-
quisa empiricamente verificável (Waltz, 1979; e Gilpin, 1981).

10. Presidente norte-americano entre 1913 e 1921, apresentou em 1918 seus 14 pontos para
a reorganização do sistema internacional a partir dos princípios do liberalismo. Foi uma
liderança central durante a Conferência de Paris (Versalhes), ao final da Primeira Guerra,
tendo proposto a criação da Liga das Nações.

11. O termo perspectivas pluralistas é utilizado por muitos atores para se referir à literatura que
critica a visão do sistema internacional baseada apenas nas relações entre Estados. Os au-
tores pluralistas seriam aqueles que propõem uma visão do sistema internacional como
uma rede de relações entre Estados e diversos outros atores. Essa perspectiva está mais
próxima do liberalismo, mas nem todos os atores liberais adotam essa visão.

12. Durante os anos 80 e 90, o novo institucionalismo torna-se central para a ciência política
norte-americana. No período anterior (1950-1980), as instituições estavam ausentes das
análises ou eram tratadas como epifenõmeno, A partir do final da década de 1970 estudos
sobre as instituições políticas domésticas americanas iniciam um movimento que enfatiza
seu valor explicativo. O fenômeno atinge o campo das relações internacionais no mesmo
período,

13. Keohane e Nye discutem a perda de autonomia do Estado, dada a presença de forças
transnacionais em seu livro de 1977. Os mesmos autores retomam o tema dez anos depois
(Keohane & Nye, 1987).

14. Veja o livro editado por David Baldwin para uma visão desse debate (Baldwin, 1993).
15. A teoria da escolha racional parte de alguns pressupostos: os seres humanos estabel~cem

uma hierarquia de preferências e fazem um cálculo racional, pesando custos e benefICIOS,

.

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para adotar uma estratégia de ação e os fenômenos sociais emergem como resultado dessas
escolhas individuais.

16. Veja o trabalho editado por Walter Powell e Paul DiMaggio para esta discussão (Powell &:
DiMaggio,1991).

17. A teoria dos jogos foi desenvolvida para estudos de economia e utiliza modelos formais
para estudar interaçôes estratégicas. Os jogos são definidos de acordo com as preferências
e o conhecimento dos atores sobre a situação.

18. Os bens públicos geram vantagens indivisiveis em beneficio de todos, e o uso por uns não
diminui a possibilidade do uso por outros.

19. Custos de transação são os custos associados à conclusão, monitoramento e execução de
acordos.

20. Andrew Moravcsik cunhou o termo intergovernamentalismo liberal (Moravscik, 1993).
21. O termo é usado para se referir à perspectiva teórica da disciplina de relações internacionais

descrita a seguir e se distingue das teorias funcionalistas da sociologia contemporânea.
22. A publicação foi reeditada em 1966 e um volume de 1975 apresenta uma coletânea de sua

obra (Mitrany, 1975). O trabalho de Ernst Haas sobre a OIT (Haas, 1964) e o trabalho de
]. P Sewell sobre o Banco Mundial utilizam parte de sua argumentação (Sewell, 1966).

23. A derrota do projeto de criação de uma Força de Defesa Européia na Assembléia Nacional
Francesa em 1954 foi um marco no debate sobre o tipo de integração que se buscaria na
Europa.

24. O trabalhos de Ernst Haas e Philippe Schimitter são particularmente relevantes (Schmitter
&: Haas, 1964; Haas, 1967, 1970).

25. A federação é um desenho institucional, aplicado para a estrutura politica dos Estados, mas
também para o processo de integração regional europeu. A integração ou associação de
entidades, sem sua assimilação, mantendo-se a convivência entre o autogoverno e o gover-
no compartilhado são seus pressupostos básicos. No caso de federaçôes, como a suíça ou
a norte-americana, unidades regionais são incorporadas ao processo decisório, sendo res-
peitadas suas diversidades. O projeto federalista europeu, desenvolvido após a Segunda
Guerra, por lideres como Jean Monnet e Altiero Spinelli, objetivava a criação de estruturas
supranacionais para lidar com problemas comuns e está associado à formação de uma
união politica (Burgess, 2000).

26. O presidente francês impediu a aprovação do voto por maioria no Conselho e atacou a
autoridade da Comissão.

27. Esses autores propôem que a governança regional é gerada nos níveis europeus, nacionais
e subnacionais, sendo criadas associações transnacionais. Os Estados nacionais deixam de
ser a única forma de agregação de interesses domésticos, podendo gerar associaçôes no
nível regional. Atores subnacionais, supranacionais e Estados convivem em uma rede com-
plexa de relaçôes (Marks, 1996).

28. Veja o texto sobre o assunto de Philipppe Schmitter (Schmitter, 2004).
29. Esse tema será retomado por Immanuel Wallestein (Wallestein, 1989) no contexto da

teoria sistema mundo e pelos teóricos da dependência na América Latina (Cardoso e Faletto,
1969).

30. Nos países do bloco soviético, o marxismo era a teoria oficial, na qual se baseavam todas as
análises do sistema internacional.

31. Termo utilizado por Antonio Gramsci para se referir às relaçôes entre a base socioeconômica
e as práticas politicas e culturais. Para Gramsci, a transformação da sociedade envolve
idéias e economia e o estabelecimento de uma nova hegemonia.

32. O ensaio A Plan for an Universal and Perpetual Peace, escrito por]. Bentham entre 1786 e
1789, já incorpora o debate sobre a relação entre opinião pública e relações internacionais
pacíficas, desenvolvida mais tarde pelos liberais no século XX (Derek, 1996, p. 81).

33. O autor foi o primeiro a imaginar um Estado mundial republicano e não-monárquico
(Heater, 1996, p. 79).

34. Os autores definem ainda construtivistas críticos e pós-modernos (Katzenstein, Keohane
&: Krasner, 1999).

35. A influência do trabalho de Jurgen Habermas deve ser notada (Habermas, 1999).
36. Para ver uma análise da crítica ao positivismo na disciplina de relaçôes internacionais, veja

o artigo de john Vasquez (Vasquez, 1995).
37. O autor ressalta que, no que concerne o debate entre positivistas e pós-positivistas, ele se

coloca em um ponto médio, defendendo a idéia de que é possível produzir ciência sobre
relações sociais, mas criticando a excessiva ênfase sobre métodos por autores no campo
positivista (Wendt, 1999, p. 39).

38. Wendt se refere a uma cultura hobesiana, a uma cultura lockeana e a uma cultura kantiana.
Em cada caso um papel domina o sistema, respectivamente do inimigo, do rival e do
amigo. (Wendt, 1999, Capo 6).

39. Para ler mais sobre esse tema veja o número especial da revista International Organization
n. 46, V. 1, inverno de 1992 (Haas, 1992).

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