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TitleFundamentos Da Filosofia
TagsArgument Happiness & Self-Help Homo Sapiens Consciousness
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                            FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA1
FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA2
FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA3
FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA4
                        
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Page 1

Fundamentos de
FILOSOFIA

GILBERTO COTRIM
MIRNA FERNANDES

COMPONENTE
CURRICULAR

FILOSOFIA

VOLUME ÚNICO
ENSINO MÉDIO

MANUAL DO
PROFESSOR

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Fundamentos de
FILOSOFIA

MANUAL DO
PROFESSOR

2ª edição – 2013
São Paulo

Gilberto Cotrim
Bacharel e licenciado em História pela Universidade
de São Paulo
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura
pela Universidade Mackenzie
Professor de História na rede particular de ensino
Advogado

Mirna Fernandes
Bacharel em Filosofia pela
Universidade de São Paulo
Assessora pedagógica

Componente
CurriCular

FILOSOFIA

Volume ÚniCo
enSino mÉDio

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Page 28

79Capítulo 4 A consciência

É possível falar em dois tipos de intuição: a
sensível e a intelectual. O filósofo grego Aristó-
teles (384-322 a.C.) referia-se à intuição
intelectual como o conhecimento imediato de
algo universalmente válido que, posteriormen-
te, seria demonstrado por meio de argumentos.
De fato, a história da ciência relata que muitas
das grandes descobertas científicas deram-se
primeiro como intuições e só depois foram com-
provadas experimentalmente e fundamentadas
em uma teoria.

A intuição sensível, por sua vez, seria um co-
nhecimento imediato restrito ao contexto das
experiências individuais, subjetivas. Ou seja, são
aquelas “leituras de mundo” guiadas pelo con-
junto de experiências de cada indivíduo e que,
dessa forma, só podem ser “decifradas” a partir
de suas vivências particulares. Por exemplo:
você nunca teve alguma sensação estranha ou
suspeita sobre algo, sem saber bem por que, e
depois descobriu que sua impressão estava cor-
reta? Muitas vezes basta apenas um pequeno
sinal, um olhar, um gesto, palavras soltas, que
se juntam automaticamente com nossa vivência
passada e surge a intuição.

� Consciência racional

A consciência racional é o modo de perceber e
entender a realidade baseado em certos princí-

pios estabelecidos pela razão, como o de causa
e efeito (em que todo efeito deve ter a sua cau-
sa) e o de não contradição (em que um argu-
mento não pode ser verdadeiro e falso ao mes-
mo tempo), entre outros. Por exemplo: quando
penso “se bater neste objeto, ele se moverá” ou
“se ela viu isso, não é cega”, estou fazendo uso
desse tipo de consciência.

A consciência racional pretende alcançar
uma adequação entre pensamento e realidade,
isto é, entre uma explicação e aquilo que se pre-
tende explicar. Para chegar a esse objetivo, de-
senvolve um trabalho de abstração e análise.
Abstrair significa separar, isolar as partes es-
senciais. Analisar significa decompor o todo em
suas partes. A finalidade desse procedimento
seria compreender o que define e caracteriza
fundamentalmente o objeto em estudo ou al-
cançar a “essência” de determinado fenômeno.

Como dissemos anteriormente, este é o
modo de consciência próprio da filosofia (pelo
menos da tradição filosófica ocidental), compar-
tilhado também pela ciência. Esses dois cam-
pos do saber racional mantiveram-se ligados
por muitos séculos, mas, a partir da revolução
científica, no século XVII, foram desmembrados
e hoje guardam características próprias (vere-
mos adiante, neste capítulo, um pouco mais so-
bre essa separação).

9. Discorra sobre esta concepção de Durkheim: “a
sociedade vivendo e agindo dentro de nós”.

10. Identifi que que modo de consciência (religiosa,
intuitiva, racional) expressa predominantemente
cada frase a seguir. Justifi que.

a) Os antibióticos combatem as infecções porque
evitam a reprodução de determinados micro-
-organismos que provocam doenças.

b) Algo me diz que ele está mentindo.
c) Foi Deus que me salvou da desgraça.

3. Consciência e ser social
Forme um grupo para discutir a seguinte questão:

a existência social condiciona nossa consciência
ou nossa consciência constrói a existência social?
Justifi que.

4. Indivíduo e sociedade
Reúna-se com colegas e pesquise sobre situações

(históricas ou pessoais) em que:

a) a prevalência da consciência individual possa
signifi car (ou signifi cou) uma ameaça à coletivi-
dade;

b) a prevalência da consciência coletiva possa im-
plicar (ou implicou) a impossibilidade de busca
da felicidade por um indivíduo ou minoria.

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Unidade 1 Introdução ao fi losofar80

CONSCIÊNCIA E FILOSOFIA
Do senso comum à sabedoria

Com as distinções que já temos sobre o tema da consciência (biológica, psicológica e sociológica), pode-
mos passar agora a investigar o que caracteriza mais especificamente a consciência filosófica.

Vimos que o ato de filosofar implica o estranhamento, a dúvida e o questionamento por meio do diálogo. Isso
significa que o filosofar é uma maneira de observar e de relacionar-se com o mundo que está fundada, em boa
parte, no modo de consciência racional (conceito que acabamos de estudar), mas também, de forma mais es-
pecífica, naquilo que chamamos de senso crítico ou consciência crítica.

Crítico quer dizer que julga e avalia uma ideia com cuidado e profundidade, buscando suas origens, sua
coerência, seu âmbito de validez, seus limites, entre outros detalhes. A consciência filosófica é, portanto,
uma consciência crítica por excelência, pois trata de não deixar nada fora de seu exame, nem mesmo a
própria consciência.

Investigando o senso comum
Para desenvolver o senso crítico, devemos começar por identificar as noções do senso comum em

nossas vidas, como fazia Sócrates. Vejamos de que se trata.
Em nossa conversa diária com as pessoas é comum surgir uma série de explicações ou opiniões sobre os

mais variados assuntos. Várias dessas ideias muitas vezes conseguem um consenso, isto é, obtêm a concordân-
cia da maioria do grupo ou da comunidade. Algumas delas acabam sendo transmitidas de boca em boca para
outros grupos ou de geração em geração. Outras, divulgadas em jornais, revistas, rádio, televisão e internet,
podem se tornar concepções amplamente aceitas por diversos segmentos da sociedade, sendo por isso consi-
deradas “naturais”, “necessárias”, “verdades absolutas”.

Esse vasto conjunto de concepções, geralmente aceitas como verdadeiras em determinado meio social,
recebe o nome de senso comum. O filósofo belga Chaim Perelman (1912-1984) definiu o senso comum
como uma série de crenças admitidas por determinado grupo social que acredita que elas são comparti-
lhadas por toda a humanidade.

Dá azar cruzar com gato preto, quebrar espelho ou passar debaixo de uma escada?
Diversas superstições – crenças geralmente baseadas em uma visão sobrenatural das
coisas – costumam fazer parte do senso comum da maioria das sociedades.

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Unidade 4 Grandes áreas do fi losofar360

Adeus, Lenin! (2003, Alemanha, direção de Wolfgang Becker)
Depois da queda do muro de Berlim, jovem tenta proteger sua fragilizada mãe do choque fatal de saber que sua
amada nação, a Alemanha Oriental, não existe mais.

Ágora (2009, Espanha, direção de Alejandro Amenábar)
No Egito ocupado pelos romanos, a ascensão do cristianismo provoca mudanças políticas que dão esperanças de
liberdade a um escravo e desnorteiam sua mestra e amada, a fi lósofa e matemática Hypatia de Alexandria.

Missing – o desaparecido (1982, EUA, direção de Constantin Costa-Gravas)
Relato dramático, baseado em fato real, sobre a busca empreendida pelo pai e pela esposa de um estado-uniden-
se desaparecido após o golpe de Pinochet, no Chile.

O que é isso, companheiro? (1997, Brasil, direção de Bruno Barreto)
Filme baseado em livro homônimo do jornalista e político brasileiro Fernando Gabeira. Retrata a época da dita-
dura militar no Brasil, quando organização política clandestina sequestra embaixador estado-unidense visando
trocá-lo por presos políticos.

Persépolis (2007, França/EUA, direção de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi)
Animação baseada em romance gráfi co homônimo e autobiográfi co de Marjane Satrapi. Mostra as suces-
sivas mudanças na vida da jovem iraniana desde a Revolução Islâmica (1979) e a implantação do funda-
mentalismo religioso em seu país.

Reds (1981, EUA, direção de Warren Beatty)
Filme que enfoca uma parte da revolução socialista soviética, através da história do repórter estado-unidense
John Reed, que fazia a cobertura dos acontecimentos. Mostra o processo revolucionário, suas tensões e suas
contradições.

Testa de ferro por acaso (1976, EUA, direção de Martin Ritt)
Obra sobre a histeria do anticomunismo nos EUA na época do macarthismo.

Todos os homens do presidente (1976, EUA, direção de Alan J. Pakula)
Filme sobre a história dos dois repórteres que revelaram o escandaloso caso Watergate, o qual culminou
com a renúncia de Nixon, então presidente dos EUA.

Temos em seguida dois textos que tratam da criação do Estado e de sua função. O primeiro apresenta um tre-
cho do texto em que John Locke formula sua teoria contratualista acerca dessa criação. Nele, o fi lósofo procu-
ra explicar por que o ser humano, possuindo uma natureza própria que lhe garante a liberdade e a igualdade,
criou o Estado, que para ele deve ser liberal. No segundo texto, Friedrich Engels opõe-se a essa concepção,
formulando a tese conhecida como marxista sobre a origem do Estado e sua função. Leia-os e responda às
questões que seguem.

1. O Estado deve ser liberal

Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua própria
pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que aban-
donará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio e controle de qualquer outro poder?

Ao que é óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direito, a fruição do mesmo é
muito incerta e está constantemente exposta à invasão de terceiros porque, sendo todos reis tanto quanto
ele, todo homem igual a ele, na maior parte pouco observadores da equidade e da justiça, a fruição da pro-
priedade que possui neste estado é muito insegura, muito arriscada.

Estas circunstâncias obrigam-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores
e perigos constantes, e não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros
que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a
que chamo de “propriedade”.

LOCKE, Segundo tratado sobre o governo, p. 88.

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361Capítulo 19 A política

2. O Estado é um instrumento da dominação de classe

[...] como o Estado nasceu da necessidade de conter o antagonismo das classes, e como, ao mesmo
tempo, nasceu em meio ao confl ito delas, é, por regra geral, o Estado da classe mais poderosa, da classe
dominante, classe que, por intermédio dele, se converte em classe politicamente dominante e adquire
novos meios para a repressão e exploração da classe oprimida.

Assim, o Estado antigo foi, sobretudo, o Estado dos senhores de escravos para manter os escravos
subjugados; o Estado feudal foi o órgão de que se valeu a nobreza para manter a sujeição dos servos e
camponeses dependentes; e o moderno Estado representativo é o instrumento de que se serve o capital
para explorar o trabalho assalariado.

Entretanto, por exceção, há períodos em que as lutas de classes se equilibram de tal modo que o poder
do Estado, como mediador aparente, adquire certa independência momentânea em face das classes.

ENGELS, A origem da família, da propriedade privada e do Estado, p. 193-194.

1. O que caracteriza o primeiro texto como uma interpretação liberal do Estado?

2. O que caracteriza o segundo texto como uma interpretação marxista do Estado?

3. Como você avalia a interpretação de Locke? Em sua opinião, o Estado pode ser liberal? Deve ser liberal?
Justifi que suas respostas.

4. Você concorda com a interpretação de Engels? Ela exclui a hipótese liberal do Estado ou a complementa,
expondo seus limites? Justifi que suas respostas.

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